A inteligência artificial começa a ocupar um papel estratégico na forma como as cidades são planejadas. O estudo AI-Powered Cities of the Future, produzido pela Deloitte, analisou 250 cidades em 78 países e identificou que 56% delas já utilizam soluções de inteligência artificial em diferentes áreas da gestão urbana. Outras 35% estão em fase de testes ou implementação da tecnologia, enquanto a expectativa é de que 48% das cidades passem a utilizá-la em larga escala até 2027. O levantamento mostra ainda que 87% das administrações municipais já utilizam, testam ou planejam implementar ferramentas de inteligência artificial generativa.
Entre as aplicações identificadas pela Deloitte estão planejamento urbano, mobilidade, infraestrutura, gestão energética e monitoramento ambiental. Em diferentes partes do mundo, cidades já utilizam inteligência artificial e modelos digitais para simular a expansão urbana, prever congestionamentos, analisar ilhas de calor e impactos ambientais, subsidiando decisões sobre novos empreendimentos e antecipando seus efeitos sobre a circulação de pessoas, o consumo de energia e o funcionamento da infraestrutura.
Esse movimento acompanha uma mudança na forma de desenvolver projetos urbanos. Para além de conceber um edifício, cresce a necessidade de compreender como ele se relaciona com a cidade e quais impactos poderá gerar sobre seu entorno. Questões como mobilidade, demanda por infraestrutura, consumo de recursos, circulação de pessoas, oferta de serviços e potencial de ativação econômica passam a integrar as etapas iniciais do planejamento, ampliando o papel da análise urbana na tomada de decisões.
É nesse contexto que a Porte Engenharia e Urbanismo desenvolve estudos de Ciência Urbana para subsidiar seus empreendimentos. A empresa reúne indicadores relacionados à mobilidade, infraestrutura, dinâmica imobiliária, perfil demográfico e atividade econômica para compreender como novos projetos podem contribuir para a consolidação de centralidades urbanas mais completas e conectadas ao território. Na avaliação da incorporadora, a evolução da inteligência artificial tende a ampliar significativamente a capacidade de integrar essas informações e construir cenários preditivos ainda mais precisos.
"A inteligência artificial amplia nossa capacidade de compreender o comportamento das cidades antes mesmo da implantação de um projeto. Caminhamos para um cenário em que será possível estimar com cada vez mais precisão como um novo empreendimento poderá influenciar o entorno e produzir impactos socioambientais e econômicos. Isso representa uma mudança importante na forma como pensamos o urbanismo e desenvolvemos novos projetos", afirma Mila Soares, Diretora de Incorporação e Novos Negócios na Porte.
Grande parte dessa evolução está relacionada ao avanço dos chamados Digital Twins, modelos digitais capazes de representar virtualmente bairros, edifícios, sistemas urbanos e cidades inteiras. Diferentemente de maquetes eletrônicas tradicionais, essas plataformas recebem continuamente informações provenientes de sensores, modelos BIM (do inglês Building Information Modeling, metodologia que reúne em um modelo digital todas as informações físicas e funcionais de uma construção), Internet das Coisas (IoT), sistemas de georreferenciamento e outras bases de dados, estabelecendo uma conexão permanente entre o ambiente físico e sua representação digital.
Os digital twins permitem integrar equipes multidisciplinares em uma única plataforma, reunindo informações antes dispersas e apoiando todo o ciclo de vida dos empreendimentos. Com o uso de inteligência artificial, machine learning e ferramentas avançadas de simulação, esses modelos monitoram ativos remotamente, adaptam cenários às mudanças ambientais e auxiliam na tomada de decisões. De acordo com um levantamento da Universidade de Stanford, reproduzido pela Autodesk, essa tecnologia pode reduzir em até 40% as alterações não previstas no orçamento das obras, diminuir em 7% o tempo de entrega dos projetos e e os custos operacionais em 9%, além de elevar em 3,5% a taxa média de ocupação dos edifícios por meio de uma gestão mais eficiente dos ativos.
Além de apoiar projetos arquitetônicos e de engenharia, essas plataformas permitem testar virtualmente diferentes soluções antes da execução física das obras. Entre as possíveis aplicações estão simulações de desempenho estrutural, eficiência energética, acessibilidade, climatização, iluminação, abastecimento de água, manutenção preventiva e diferentes alternativas de projeto, reduzindo a necessidade de protótipos físicos e ampliando a previsibilidade sobre o comportamento das construções.
A importância da inteligência artificial nesta evolução dos digital twins também é destacada pelo artigo Leveraging Generative AI for Urban Digital Twins, publicado na revista Urban Informatics. Após analisar 1.125 estudos científicos, os pesquisadores identificaram que as principais aplicações da tecnologia estão relacionadas à energia urbana (479 estudos), transporte e mobilidade (259), planejamento urbano (201), recursos hídricos (105) e edifícios e infraestrutura (81).
Para Carollina Okamoto, coordenadora de Ciência Urbana da Porte Engenharia e Urbanismo, essas ferramentas representam uma evolução do planejamento urbano baseado em dados. "A inteligência artificial não substitui arquitetos, urbanistas ou engenheiros, mas amplia significativamente a capacidade de análise. Ela permite integrar, em um mesmo ambiente, variáveis que antes eram avaliadas de forma isolada, como mobilidade, infraestrutura, consumo de recursos e dinâmica urbana, além de simular diferentes cenários antes da execução de um projeto. Isso torna o planejamento mais consistente, fundamentado em evidências e fortalece a capacidade de prever como um empreendimento pode impactar seu entorno", explica.
Para Mila Soares, esse avanço tende a mudar a relação entre empreendimentos e cidades. "A possibilidade de simular diferentes cenários antes do início das obras permite comparar alternativas, antecipar desafios e desenvolver projetos mais conectados à dinâmica das cidades e às necessidades das pessoas. A tecnologia oferece um volume de informações impossível de ser processado apenas por análises convencionais”.
Website: https://porte.com.br/
Fonte/Créditos: DINO
Créditos (Imagem de capa): Digital Twins ajudam a visualizar projetos e arredores

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