Após participar de processo seletivo que recrutava policiais militares para participar como voluntários nas Missões de Paz das Nações Unidas, a cabo da Polícia Militar do Espírito Santo (PMES) Lorena Lima Daleprane foi selecionada e seguiu, em 16 de setembro de 2019, para o Sudão do Sul, nordeste da África. Por lá a militar realizou diversas ações que beneficiaram as comunidades locais, além de liderar a construção de uma sala de aula, angariando fundos e mão de obra para aprimoramento de um centro de ensino regular, que atende pessoas carentes da região.

Inicialmente alocada em Bentiu, local com maior campo de proteção de civis do mundo, com uma população em torno de 130 mil habitantes deslocados, que migravam fugindo da guerra, a cabo começou realizando um trabalho de patrulhamento ostensivo geral, assim como todos os policiais iniciantes. Em pouco mais de um mês, foi admitida na Polícia Comunitária, passando a lidar diretamente com a guarda e polícia local e lideranças comunitárias e religiosas, levado moradores a participarem de seminários importantes e cursos de capacitação.
Exercendo um bom trabalho, em seis meses a PM foi transferida para Juba, capital do país, onde agora ela tinha a missão de continuar estreitando laços com as comunidades e, também, coordenar casos de extração de pessoas feridas do campo e transferência hospitalar e, ainda, ser o elo entre autoridades locais e comunidades dos demais setores da missão.

Foi durante essa empreitada que a cabo conheceu o diretor da Escola Exodus International Academy, Sokiri Ambamba George, que não escondeu sua admiração pelos brasileiros. E, após saber por ele que outra PM brasileira, a tenente-coronel Fernanda Santos, de São Paulo, que já tinha retornado ao Brasil, havia sido responsável pela construção de duas das melhores dependências da humilde escola, a cabo fez contato com a policial, pediu orientações e, com seu apoio, tomou iniciativas a fim deixar mais uma sala pronta antes do fim de sua missão no país.
Inicialmente, Daleprane começou levantar fundos realizando pequenos eventos sociais, mas com o avanço da pandemia do Coronavírus a atividade deixou de ser possível. Ainda assim, com o desejo crescente de fazer a diferença para aquela pequena parcela da população, a cabo se sentiu encorajada pelas pessoas próximas e lançou uma ação entre amigos dentro da missão.

Para a surpresa da PM, não só os amigos policiais aderiram a causa, mas também civis brasileiros, além da tenente-coronel Fernanda, que daqui do Brasil passou a arrecadar dinheiro e fazer chegar em Juba.
Foi dessa forma, mesmo com mais algumas dificuldades encaradas ainda, a primeira policial do Espírito Santo a participar das Missões Especiais de Paz da ONU, voltou do Sudão do Sul com a sensação de missão cumprida, pois mais uma sala de aula foi entregue àquela comunidade. “Muitas vezes a vontade de ajudar existe, porém não é tão fácil botar em prática. A língua, cultura, recursos, mão de obra e acesso aos melhores preços e principalmente levantamento de verbas são barreiras que incrementaram ainda mais esse desafio”, declarou a militar.

Créditos (Imagem de capa): Divulgação
