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Sexta-feira, 17 de Abril 2026
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Dona do Abrigo Au Au Carente na Serra mantinha vaquinhas on-line para arrecadar R$ 250 mil

O suposto abrigo é dos pais da jovem mantinha 14 animais em estado de abandono em Vila Velha

Dona do Abrigo Au Au Carente na Serra mantinha vaquinhas on-line para arrecadar R$ 250 mil
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A Delegacia Especializada de Proteção ao Meio Ambiente (DPMA) indiciou pai, mãe e filha, responsáveis pelo Abrigo Au Au Carente, na Serra, por maus tratos a animais. O delegado responsável pelo caso também representou pela prisão preventiva de Bianca Guimarães, filha de Lívia Guimarães e José Délio, responsáveis pelo suposto abrigo e investigados. O inquérito policial instaurado em janeiro deste ano foi concluído essa semana e remetido ao Ministério Público.

A presidente da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) dos Maus-Tratos Contra os Animais da Assembleia Legislativa (Ales), deputada Janete de Sá (PMN), disse que vai acionar o Ministério Público (MP-ES) para que seja feito o pedido de prisão dos responsáveis pelo Abrigo Au Au Carente. O anúncio foi feito durante reunião do colegiado realizada na tarde desta quarta-feira (24) no Plenário Dirceu Cardoso.

Como tudo começou

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As investigações começaram depois da descoberta de um apartamento, em Vila Velha, onde 14 cães foram encontrados em estado de abandono, sendo que 11 deles tinham morrido, e os sobreviventes se alimentavam desses restos.

A moradora do imóvel, inicialmente, foi dada como desaparecida pelos pais, que chegaram a afirmar que ela era dependente química. Durante as investigações, o titular da DPMA delegado Eduardo Passamani, descobriu que ela não tinha desaparecido, mas estava sendo escondida pelos pais, que participavam do esquema criminoso.

Doações na internet

A dona do suposto abrigo Livia Lopes Machado Guimarães e mãe da jovem que abandonou os animais no apartamento em Vila Velha, mantinha uma espécie de “vaquinha” on-line, há cinco meses, onde pretendia arrecadar R$ 250 mil, que segundo o post seria para compra de um imóvel. Na descrição do pedido ela argumenta que já havia recebido a doação de R$ 60 mil e precisava desocupara a chácara onde funcionava o abrigo em 60 dias, por isso, estava realizando a vaquinha, que arrecadou R$ 285,00 apenas.

“Atualmente moramos de aluguel em uma chácara localizada em Serra e infelizmente nosso contrato se encerrou a 60 dias, e o dono colocou a área a venda. Ele nos apresentou uma proposta de compra no valor de R$ 300.000,00 por uma área muito boa para ampliação do abrigo, mais a casa. Graças ao nosso bom Deus e a uma colaboradora mais que especial em nossas vidas, já temos o valor de R$ 60.000,00 para darmos de entrada, nos restando a arrecadar o valor de R$ 240.000,00 Precisamos de arrecadar esse valor no prazo de até 60 dias, caso contrario seremos obrigados a procurar outro local de emergência, e com toda certeza com o número de animais abrigados aqui, ninguém irá nos alugar um imóvel e não sabemos que rumo tomar”.

Em outro site de vaquinha on-line, o Abrigo Au Au Carente chegou a receber ajuda de R$ 14.990,00 e o argumento seguia o mesmo, arrecadar R$ 230 mil para compra de um novo local. Porém, segundo a descrição, eles já haviam dado a entrada na compra do novo local e precisavam do restante do valor. Eles afirmam ainda que na primeira vaquinha não foram bem sucedidos, por isso, estavam realizando outra.

“CAMPANHA DE NATAL PAGAMENTO DA SEDE DO ABRIGO - Recentemente adquirimos a sede do abrigo que até então era alugada. Demos um valor de entrada e ainda restam aproximadamente R$230.000,00 A mais de 15 anos efetuamos o trabalho de salvamento e resgates de cães dando aos mesmos uma segunda chance para aqueles que não tem voz. Nossa primeira tentativa da Vakinha não foi bem sucedida onde arrecadados apenas 5% do valor desejado. Gente, se não conseguirmos arrecadar esse valor agora em dezembro, em janeiro o meu destino e dos animais será a rua. Não tenho de onde tirar e nem como desfazer de nada pois não tenho para arcar com essa dívida. Não tenho renda e dependo de doações para manter os animais e local onde eles vivem. Peço encarecidamente a ajuda de vocês pois não terei outra saída a não ser a rua.

CPI dos Maus Tratos

As apurações realizadas entre a Polícia Civil juntamente com a CPI dos Maus Tratos indicaram que não se tratava de simples situação de abandono. A família também mantinha uma chácara, na Serra, onde afirmava abrigar os animais abandonados e pedia doações pelas redes sociais para a manutenção do espaço.

No dia 20 de janeiro, a polícia e a CPI dos Maus Tratos interditaram o local e resgataram 34 cães. “Encontramos indícios de um esquema criminoso em que os animais eram resgatados, usados em divulgação nas redes sociais para aferição de dinheiro, porque eles recebiam doações, e os animais não eram tratados, o dinheiro não era destinado praquele fim. Eles eram encaminhados pro apartamento, onde eles vinham a morrer. Existem informações de que eles retiravam grande quantidade de lixo do apartamento e isso pode indicar que os animais morriam ali há tempos”, afirmou Passamani.

A CPI dos Maus Tatos realizou a oitiva de envolvidos no caso na tarde dessa quarta-feira (24), no entanto, os indiciados não compareceram.

Justificativa

O advogado dos três convocados, Jamilson Monteiro Santos, não apresentou justificativa da ausência dos clientes. Ele acionou outros advogados que chegaram a tumultuar os trabalhos, no entanto, acabaram sendo retirados do plenário por atrapalhar o andamento das investigações.

Janete de Sá chamou o local onde o crime aconteceu de “apartamento da morte” e disse que o relatório da CPI deve ser finalizado até sexta-feira (26). O documento deve servir de apoio ao inquérito conduzido pelo delegado Eduardo Passamani, titular da Delegacia de Proteção ao Meio Ambiente.

Em consonância com o inquérito da polícia, a CPI deve propor a proibição da saída dos três suspeitos do país, vetar que possam recolher animais, além da retirada das páginas do Abrigo Au Au Carente das redes sociais. Outras medidas propostas são o bloqueio das contas usadas por eles em aplicativo fintech e quebra do sigilo bancário e fiscal dos três convocados.

Créditos (Imagem de capa): Divulgação

Redação Site da Serra

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